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08/07

Preços das fibras sob pressão

O confinamento mundial provocado pelo Covid-19 está a repercutir-se no consumo e, consequentemente, na procura de têxteis e vestuário.

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O confinamento mundial provocado pelo Covid-19 está a repercutir-se no consumo e, consequentemente, na procura de têxteis e vestuário, o que coloca uma pressão descendente adicional sobre os preços das fibras, nomeadamente do algodão, que sofre ainda com a concorrência do poliéster.

O mercado mundial de algodão foi profundamente afetado por fatores fundamentais relacionados com a oferta e a procura e o grande confinamento resultante da pandemia de Covid-19, aponta um novo estudo do International Cotton Advisory Commitee (ICAC).

O impacto, por sua vez, colocou pressão em toda a cadeia de todos os sectores da indústria têxtil e vestuário. Com base na estimativa do ICAC para a atual época 2019/2020, a produção mundial desceu 4% em comparação com as estimativas iniciais, para 25,2 milhões de toneladas, com a área mundial de plantação a cair devido aos preços mais reduzidos.

O consumo mundial para a época está estimado em 23 milhões de toneladas devido às medidas de contenção «e à continuação da pressão de tensões comerciais globais», indica o estudo. «Com a quebra da utilização, os níveis de stocks finais deverão subir para 21,8 milhões de toneladas, com o rácio stocks-utilização em níveis recorde», acrescenta.

Nos EUA, o mais recente relatório do Departamento de Agricultura do país refere grandes diminuições nas estimativas de utilização por parte das fábricas para a época de 2019/2020, antecipando uma queda de 2,3 milhões de fardos, para 102,7 milhões de fardos, e para a próxima colheita, referente à época 2020/2021, com menos 2,1 milhões de fardos, para 114,4 milhões de fardos.

Isto resultou em fortes aumentos dos stocks finais em ambas as épocas de colheita. A atual projeção para 2020/2021 antecipa o maior volume de stocks armazenados desde 2014/2015, aponta o Departamento de Agricultura dos EUA.

«Tendo em conta a atual incerteza em relação aos efeitos totais da pandemia de Covid-19 na economia mundial, é possível haver novas revisões em baixa para a utilização pelas fiações e mais revisões em alta para os stocks finais», sublinha a Cotton Inc.

O cenário macroeconómico, segundo o ICAC, está diretamente relacionado com o consumo de algodão – quando o crescimento do PIB abranda, o crescimento do consumo segue o mesmo caminho. De acordo com a projeção atual do Fundo Monetário Internacional (FMI), a contração de 3% na economia mundial deverá contribuir para uma descida de 11% no consumo de algodão, destaca o ICAC. Contudo, à medida que o crescimento do PIB acelera, o crescimento do consumo também deverá recuperar.

«Embora a atual projeção do FMI de um declínio de 3% no PIB seja mais grave do que na crise de 2008, as crises são diferentes porque esta foi induzida por um evento de saúde pública em vez de más políticas no sector financeiro, assinalando a possibilidade uma recuperação mais fácil e rápida sobre as respostas políticas apropriadas», afirma o ICAC. «O confinamento generalizado resultou em níveis recorde de desemprego. Embora tenha havido um aumento nas compras online em alguns países, a atividade no retalho no sector têxtil e de vestuário abrandou», revela.

Evolução futura

Os preços do algodão deverão manter-se sob pressão durante várias épocas, incluindo com stocks finais mais altos nesta e na próxima colheita, menor procura pela fibra por parte de marcas e retalhistas, e preços mais baixos do poliéster.

e a diferença de preços entre o algodão e o poliéster continuar a aumentar, pode reduzir a competitividade do algodão e diminuir a sua quota no consumo mundial de fibras têxteis.

 

Os preços médios do algodão nos EUA na semana terminada a 11 de junho rondaram os 56,19 cêntimos de dólar por libra (equivalente a 1,11 euros por quilograma), de acordo com o Departamento de Agricultura dos EUA. Um aumento face aos 55,22 cêntimos de dólar por libra da semana anterior, mas uma queda em comparação com os 61,05 cêntimos de dólar por libra do mesmo período do ano anterior, afiança o Departamento de Agricultura. O índice de preços ao produtor de fibras sintéticas (PPI), que inclui predominantemente poliéster, baixou 0,2% em maio e ficou 3,2% abaixo do índice de maio de 2019, segundo o Bureau of Labor Statistics dos EUA.

A análise mensal da Cotton Incorporated assevera que vários preços de referência aumentaram no mês de maio. Os contratos futuros para julho em Nova Iorque subiram ligeiramente, para 60 cêntimos de dólar em comparação com os anteriores 58 cêntimos de dólar, enquanto os preços para os contratos futuros de dezembro cresceram na mesma proporção.

O A Index, uma média dos preços mundiais, subiu para 68 cêntimos de dólar por libra, em comparação com 65 cêntimos de dólar, enquanto o China Cotton Index aumentou de 73 cêntimos de dólar para 78 cêntimos de dólar.

Para a semana terminada a 12 de junho, o australiano Eastern Market Indicator, o índice de preços para a lã, baixou 12 cêntimos de dólar, para 11,71 dólares em comparação com a semana anterior.

«Desde o final de fevereiro, muitas encomendas de exportação de têxteis e vestuário foram canceladas ou adiadas e grandes empresas de retalho apresentaram pedidos de insolvência», assinala o ICAC. «As perspetivas a curto prazo para a indústria têxtil e de vestuário deverão ser cinzentas… as perdas no sector comercial provocadas pelo cancelamento de contratos por causa do Covid-19 deverão levar mais empresas a saírem da indústria de negociação de algodão», adianta.

Uma recuperação lenta, que poderá variar entre um ano e 18 meses sem grandes esforços para promover a procura do consumidor, poderá levar a uma contração mais aguda na utilização de algodão em 2021, salienta o ICAC.

«Com a produção mundial em 2020/2021 estimada em 25,1 milhões de toneladas, um abrandamento adicional da economia e um crescimento mais lento do consumo irá aumentar a pressão nos stocks finais, o que por sua vez vai aumentar a pressão descendente sobre os preços», mostra o estudo. «Numa crise prolongada, a segurança alimentar torna-se uma questão importante e os pequenos agricultores em economias em desenvolvimento vão provavelmente trocar para colheitas de produtos alimentares», explica.

Otimismo pode gerar aumentos

Há potenciais argumentos para que os preços possam aumentar, apesar das projeções de volumes de stock quase recorde no final de 2020/2021. Segundo a Cotton Inc, um deles é que os participantes no mercado podem ser menos pessimistas que o Departamento de Agricultura dos EUA em relação à recuperação após a pandemia. Outro fator pode ser o aumento na liquidez resultante do facto dos bancos centrais em todo o mundo estarem a aumentar a oferta de dinheiro.

No entanto, projeções recentes do crescimento económico mundial foram revistas em baixa. O Banco Mundial avançou números que sugerem uma contração do PIB mundial de 5,2% em 2020. Em abril, o IFM antecipava um declínio de 3%.e a diferença de preços entre o algodão e o poliéster continuar a aumentar, pode reduzir a competitividade do algodão e diminuir a sua quota no consumo mundial de fibras têxteis.

 

Os preços médios do algodão nos EUA na semana terminada a 11 de junho rondaram os 56,19 cêntimos de dólar por libra (equivalente a 1,11 euros por quilograma), de acordo com o Departamento de Agricultura dos EUA. Um aumento face aos 55,22 cêntimos de dólar por libra da semana anterior, mas uma queda em comparação com os 61,05 cêntimos de dólar por libra do mesmo período do ano anterior, afiança o Departamento de Agricultura. O índice de preços ao produtor de fibras sintéticas (PPI), que inclui predominantemente poliéster, baixou 0,2% em maio e ficou 3,2% abaixo do índice de maio de 2019, segundo o Bureau of Labor Statistics dos EUA.

A análise mensal da Cotton Incorporated assevera que vários preços de referência aumentaram no mês de maio. Os contratos futuros para julho em Nova Iorque subiram ligeiramente, para 60 cêntimos de dólar em comparação com os anteriores 58 cêntimos de dólar, enquanto os preços para os contratos futuros de dezembro cresceram na mesma proporção.

O A Index, uma média dos preços mundiais, subiu para 68 cêntimos de dólar por libra, em comparação com 65 cêntimos de dólar, enquanto o China Cotton Index aumentou de 73 cêntimos de dólar para 78 cêntimos de dólar.

Para a semana terminada a 12 de junho, o australiano Eastern Market Indicator, o índice de preços para a lã, baixou 12 cêntimos de dólar, para 11,71 dólares em comparação com a semana anterior.

«Desde o final de fevereiro, muitas encomendas de exportação de têxteis e vestuário foram canceladas ou adiadas e grandes empresas de retalho apresentaram pedidos de insolvência», assinala o ICAC. «As perspetivas a curto prazo para a indústria têxtil e de vestuário deverão ser cinzentas… as perdas no sector comercial provocadas pelo cancelamento de contratos por causa do Covid-19 deverão levar mais empresas a saírem da indústria de negociação de algodão», adianta.

Uma recuperação lenta, que poderá variar entre um ano e 18 meses sem grandes esforços para promover a procura do consumidor, poderá levar a uma contração mais aguda na utilização de algodão em 2021, salienta o ICAC.

«Com a produção mundial em 2020/2021 estimada em 25,1 milhões de toneladas, um abrandamento adicional da economia e um crescimento mais lento do consumo irá aumentar a pressão nos stocks finais, o que por sua vez vai aumentar a pressão descendente sobre os preços», mostra o estudo. «Numa crise prolongada, a segurança alimentar torna-se uma questão importante e os pequenos agricultores em economias em desenvolvimento vão provavelmente trocar para colheitas de produtos alimentares», explica.

Otimismo pode gerar aumentos

Há potenciais argumentos para que os preços possam aumentar, apesar das projeções de volumes de stock quase recorde no final de 2020/2021. Segundo a Cotton Inc, um deles é que os participantes no mercado podem ser menos pessimistas que o Departamento de Agricultura dos EUA em relação à recuperação após a pandemia. Outro fator pode ser o aumento na liquidez resultante do facto dos bancos centrais em todo o mundo estarem a aumentar a oferta de dinheiro.

No entanto, projeções recentes do crescimento económico mundial foram revistas em baixa. O Banco Mundial avançou números que sugerem uma contração do PIB mundial de 5,2% em 2020. Em abril, o IFM antecipava um declínio de 3%.

Sob estas condições económicas difíceis, o vestuário mostrou ser uma categoria de produto onde os consumidores se retraíram», assegura a Cotton Inc. «Nos mais recentes dados [de abril] do consumo de vestuário para os EUA, houve uma diminuição de 48% em termos anuais. A evaporação da procura do consumidor fez com que os retalhistas acumulassem inventário e houve diminuições dos preços para ajudar a mover produto. Embora haja alguns pontos positivos, como o consumo online, a combinação de volumes de vendas mais baixos e margens mais reduzidas não colocam muitos retalhistas na posição financeira de manterem os volumes de encomendas», prevê.

No final da cadeia de aprovisionamento, os preços do vestuário no retalho baixaram, em termos ajustados sazonalmente, 2,3% em maio, depois de terem caído 4,7% em abril e 2% em março, de acordo com os Consumer Price Index do Bureau of Labor Statistics dos EUA. A queda foi generalizada, mas o vestuário de senhora registou o maior declínio, de 3%.


Fonte: https://www.portugaltextil.com/precos-das-fibras-sob-pressao/