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02/03

Sacola de roupas em versão digital

A pessoa escolhe o que mais lhe agrada, paga por esses produtos e o resto é recolhido pela empresa.

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Velha conhecida de quem vive no interior e dos clientes de grifes de luxo, a sacolinha de roupa ganhou sua versão digital com o avanço dos serviços oferecidos pela internet. O modelo é simples: o internauta faz um cadastro com informações de suas preferências e medidas, e passa a receber, em casa, na periodicidade que quiser, itens para compor seu armário. A pessoa escolhe o que mais lhe agrada, paga por esses produtos e o resto é recolhido pela empresa.

As empresas costumam cobrar uma taxa entre R$ 20 e R$ 30 para cobrir custos, se o cliente não comprar nada da sacola.

Assim como praticamente tudo que tem acontecido na internet hoje em dia, a inteligência artificial desempenha um papel importante no processo. A seleção dos itens enviados é feita por algoritmos — sequências de regras, baseadas em dados, que têm por objetivo solucionar problemas. Esses algoritmos são “treinados” para entender os gostos dos clientes e também se adaptar ao que ele ou ela não gostam quando uma bolsa volta para a loja.

“É tudo sobre dados. E a avaliação do que não gostou é tão importante quanto do porquê comprou”, diz Bel Humberg, fundadora e ex-acionista do site de moda OQVestir, que entrou no mercado de sacolinhas em agosto do ano passado com o Fashion Code.

Segundo ela, metade dos 19 funcionários é da área de tecnologia, voltados principalmente à criação do sistema de recomendação. Ela diz, no entanto, que o toque humano é fundamental. Por isso, a marca montou uma loja física na cidade de São Paulo onde as clientes podem ter um atendimento pessoal. Bel também quer montar um modelo de “revendedoras”, que farão atendimento a clientes regionais.

O serviço, que conta com produtos de 64 marcas (sendo uma própria, começou a funcionar pelo público que Bel diz ser o mais difícil, as mulheres. A ideia é incluir os homens e as crianças em 2021. Em cinco meses de operação, foram enviadas mil caixas, que são montadas com oito peças. A expectativa é chegar a 21,5 mil em dezembro. “São peças que conversam entre si e resolvem a vida. Não queremos mandar mais coisas para não confundir as pessoas e propor um consumo consciente. As pessoas só usam cerca de 30% do que está no armário”, diz.

O investimento previsto para os dois primeiros anos de operação do Fashion Code é de R$ 10 milhões. Até 2022, a projeção é chegar a uma receita anual de R$ 80 milhões. Para Bel, o modelo é interessante para as marcas de moda porque ajuda a girar peças que tenham sobrado no estoque. “A operação é sobre a jornada da pessoa, dizer quem ela é, não sobre tendências. Uma roupa da coleção passada, se bem trabalhada, vende”, diz.

O trabalho junto às marcas é um dos objetivos de Alexandre Abrahão, da Upperbag, para 2020. A ideia, segundo ele, é vender informações sobre tendências de compras dos usuários cadastrados no serviço, ajudando no planejamento de suas coleções. O serviço criado em 2016 tem 30 mil pessoas cadastradas em todo o país.

A Upperbag tem 250 marcas em seu catálogo, incluindo produtos de marcas que passaram por dificuldades financeiras e tiveram que se desfazer de estoques. “Não precisamos ter uma coleção vigente. Esse perfil de cliente não sabe ou não se importa com isso”, diz Abrahão.

Ao longo do ano, o executivo diz que pretende começar uma operação com shoppings, na qual as lojas vão usar seus estoques para montar as sacolas enviadas aos clientes — ou deixá-la para ser retirada se a pessoa preferir. Abrahão diz estar em conversas com três redes e espera ter um contrato em operação ainda no começo do ano. Além de roupas, a Upperbag incluiu outros produtos ao seu catálogo, como cerveja, maquiagem e produtos de sex shop. “São os itens mais vendidos para o público feminino”, diz.

Com atuação no Rio e em São Paulo, o iCloset já fez duas rodadas de investimentos em pouco mais de um ano de operação. O primeiro aporte veio do grupo PH Mais, que investe em startups voltadas para o varejo. E em outubro o grupo Mosaico também colocou dinheiro na operação. Para o primeiro semestre de 2020 a expectativa é ter mais uma rodada, segundo sua fundadora, a publicitária mineira Aline Tassar. Ela não revela os valores dos aportes.

No iCloset, o cliente escolhe uma das marcas disponíveis e recebe a malinha em casa com sete a oito “looks” completos (de 15 a 20 peças), em até dois dias úteis. Depois, tem até 15 dias para escolher as peças que deseja comprar. Em geral, os clientes compram entre quatro ou cinco peças. O site tem hoje 2 mil usuários cadastrados e a expectativa é acelerar o crescimento para fechar 2020 com receita de R$ 2 milhões. Queremos oferecer uma opção de compra a mais para o cliente. Estamos vivendo em um mundo cada vez mais com conveniência. As pessoas querem aproveitar o tempo de forma mais prazerosa do que com compromissos do dia a dia”, diz Aline.


Fonte: Fonte: Valor Econômico Foto: Divulgação.