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30/08

Impactos da indústria da moda e soluções criativas de consumo consciente

Ao longo do século 20, a compra e descarte rápido substituíram o consumo de objetos duráveis.

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Ao longo do século 20, a compra e descarte rápido substituíram o consumo de objetos duráveis. Para o modelo do fast-fashion se sustentar, a produção de roupas dobrou nos últimos 15 anos, ao passo que, o número médio de vezes que cada peça é utilizada diminuiu 36%. Vale ressaltar que a fabricação dessas peças é um processo muito custoso ambientalmente. Uma camisa de algodão, por exemplo, exige o consumo de 2.700 litros de água. De acordo com Quantis, é estimado também que, em 2016, 3.990 milhões de toneladas de dióxido de carbono foram gerados pela indústria do vestuário e de calçados.

Os impactos ambientais não são os únicos evidenciados para a manutenção do fast-fashion. Para incentivar o consumo, existe uma pressão para reduzir os custos de produção, utilizando-se de trabalho infantil e trabalho análogo à escravidão. O fato foi comprovado pelo Departamento de Trabalho dos Estados Unidos, em países como Argentina, Bangladesh, Brasil, China, Índia, entre outros.

Um novo modelo de negócio

Em contrapartida à essa tendência, Tadeu Almeida fundou o Repassa, um brechó online que aposta na conveniência na hora de vender roupas. O propósito da empresa é dar mais ciclos de vida para 70% dos artigos de moda parados nos guarda-roupas das pessoas. Através de cada roupa usada vendida, retira-se 82% do impacto ambiental de sua produção. Dessa forma, o Repassa já evitou o consumo de 184 milhões de litros de água e a emissão de 1 mil toneladas de CO2 na atmosfera.

A empresa também atua para ter um impacto social positivo e criou o Repasse Solidário. A iniciativa permite que vendedores doem uma porcentagem de suas vendas às ONGs parceiras, como Adote um Gatinho, Casas André Luiz, Fundação ABRINQ, entre outras. Há também o projeto de Upcycling, em parceria com designers e grupo de costureiras em situação de vulnerabilidade. Promove-se a independência financeira dessas mulheres através da fabricação de roupas, cuja matéria-prima, são peças prontas para o descarte.

Os compradores também se beneficiam desse consumo de moda sustentável. “Quem compra economiza até 90% do valor da peça na loja, recebendo uma peça como nova, com a mesma qualidade e utilidade. Quem vende ganha dinheiro com as roupas que não usa mais sem ter trabalho nenhum, e ao pedir a sua Sacola do Bem, abre espaço no armário, ajuda o meio ambiente e a sociedade, que recebe recursos para projetos sociais e ambientais.”, diz Tadeu Almeida.

 

Tendências do mercado da moda

Segundo o artigo The State of Fashion 2019: A year of awakening, escrito pela McKinsey em parceria com a Business of Fashion (BoF), haverá, nos próximos anos, uma disseminação da tendência seguida pelo Repassa.

O estudo sugere que a sustentabilidade socioambiental é, em 2019, uma variável relevante para o consumo de moda, principalmente, para o público jovem. Eles exigem maior transparência das empresas, buscando saber onde, como e quem produziu a peça. Entretanto, continuam buscando uma variedade no guarda-roupa, o que sugere que o mercado de usados será maior que o fast fashion nos próximos 10 anos.


Fonte: Abit