Imprensa

|

Notícias

13/12

O novo perfil do Designer de Moda para a Indústria 4.0

A Quarta Revolução Industrial traz mudanças estruturais nos processos de produção das empresas e mexe com o perfil dos profissionais.

COMPARTILHAR:

A Quarta Revolução Industrial traz mudanças estruturais nos processos de produção das empresas e mexe com o perfil dos profissionais. E o setor têxtil e de vestuário é um dos pioneiros nessa transformação. Para acompanhar essa mudança, inclusive de maquinário, o profissional que cria moda precisa se reinventar, incorporando a tecnologia digital na concepção e fabricação das peças. Surge, assim, o Designer de Moda 4.0.

 

Roupas inteligentes e pensadas para os diversos públicos consumidores que compõem a sociedade são uma tendência dentro dessa nova realidade. O antropólogo e pesquisador de consumo e tendências Marcelo Ramos, que é o curador do SENAI Brasil Fashion (projeto de educação profissional desenvolvido pelo SENAI CETIQT), fala sobre as novidades.

 

“Dentro do novo contexto da Indústria 4.0, cada profissional deve desenvolver competências socioemocionais ou softskills, que englobam a capacidade de trabalhar em equipe, criatividade e empreendedorismo, essenciais para obter ganhos de produtividade e eficiência em empresas cada vez mais horizontalizadas e flexíveis”, sinaliza Ramos.

 

É fato que a Indústria 4.0 não está pronta, mas em processo avançado de construção. Os especialistas acreditam que essa integração do mundo físico com o virtual por meio da Internet das Coisas (IoT, das iniciais em inglês), Big Data e Inteligência Artificial esteja em pleno funcionamento daqui a 10 ou 15 anos. Muitos já avançaram bastante nesse caminho, como Estados Unidos, Alemanha, Coreia do Sul e China, países onde já é possível ver movimentações em torno da reciclagem de materiais para transformação em fibras têxteis. Alguns exemplos: tecidos feitos com reaproveitamento de resíduos plásticos e redes de nylon descartados nos mares; além de fios feitos da caseína do leite, da borra de café, de soja e de semente da mamona.

 

A grande promessa de boom tecnológico fica em torno da Wearable Technology – ou Tecnologia Vestível –, que são roupas e acessórios confeccionados com materiais inteligentes, que captam a energia solar e cinética para alimentar os wearables instalados na trama do tecido. Essa tecnologia poderá ser usada, por exemplo, na área biomédica, para monitorar a saúde das pessoas; ou no ramo esportivo e fitness, com tramas com sensores que monitoram e auxiliam os exercícios físicos, como um personal trainer de inteligência artificial. Há também as roupas que mudam de cor com um simples toque.

 

“Toda essa movimentação mundial se dá em razão da mudança de comportamento do consumidor, que está cada vez mais diversificado, experiente e exigente. O Designer de Moda precisa, então, pensar em como atender a esse público, pois embora a tecnologia já permita maior aproximação desses profissionais com os consumidores, eles ainda estão distantes do significado que essa diversidade representa e o que isso pode significar em termos de produtos e mercado”, explica o pesquisador.

 

Para que esse futuro comece a ser encarado como realidade e os profissionais da moda possam se preparar, o SENAI CETIQT lança, no próximo dia 18, o Fashion Lab, um espaço colaborativo para a realização de experimentos que utilizam tecnologias inovadoras destinadas à Indústria da Moda. Nele, players de todos os elos da cadeia têxtil e de confecção poderão planejar, desenvolver, construir e validar novos projetos e produtos. No espaço haverá impressoras 3D e 4D multimateriais, cortadora a laser, cortadora de vinil, fresadora de alta precisão, máquina de costura de ultrassom, plotter da Audaces; além de outros recursos. Será possível também realizar projetos de manufatura aditiva, fabricação digital para desenvolvimento de produtos, acessórios, aviamentos, calçados, entre outros. Já em outro ambiente ficará a Fábrica Modelo, com maquinário completo e novas tecnologias para experimentação de técnicas mais enxutas de confecção.

 

“Um laboratório aberto é uma novidade para o setor. Estamos incutindo uma nova mentalidade, de colaboração, aproveitando a expertise de diversos profissionais, criando, assim, um setor mais fortalecido e inovador, pronto para atuar na Indústria 4.0”, explica o gerente do Instituto SENAI de Tecnologia em Têxtil e Confecção do SENAI CETIQT, Fabian Diniz.

 

O ambiente terá também um espaço de coworking, onde profissionais, empresas e estudantes do SENAI CETIQT (ativos e egressos) poderão trocar experiências e até mesmo encubarem uma ideia, seja para o desenvolvimento de soluções, novos produtos, ou estratégias de sustentabilidade, por exemplo.


Fonte: Segs